Techs on a budget 3 – Um pouco de devoção antes do pro tour

Deck em análise: Mono Red Devotion

Saudações mais uma vez.
Como estamos perto do pro tour Born of the Gods, que vai ser disputado no formato de Modern, acho que faz sentido por aqui algo para inspirar os aspirantes as este formato.
O deck de hoje é inspirado numa estratégia de standard que, quando transferida para modern fica consideravelmente melhor, visto os recursos serem muito mais rápidos e melhores.

Lista actual:

18 Mountain
4 Nykthos, Shrine to Nyx
4 Fanatic of Mogis
4 Goblin Guide
4 Vexing Shusher
4 Figure of Destiny
4 Burning-tree Emissary
4 Ash Zealot
4 Boggart Ram-Gang
1 Blood Knight
4 Lightning Bolt
3 Searing Blaze
2 Dismember
 

Sideboard:
4 Defense Grid
3 Stigma Lasher
3 Tormod’s Crypt
3 Mizzium Mortars
2 Shatterstorm

Este é um deck que mistura a extrema agressividade de low drops, estratégia de devoção e Burn.
Consegue ser todo ele uma ameaça muito cedo devido à extrema abundância de one e two drops e, a maior parte das criaturas terem haste. Este último factor também contribui para os match ups de control que, normalmente ficariam aliviados com uma cólera. I don’t think so. Quatro cópias de Goblin guide, Ash Zealot, Boggart Ram-Gang dizem what’s up a este tipo de pensamento!
Tal como no deck de standard, Nykthos, Shrine to Nyx executa um papel extremamente potente neste tipo de deck. Torna possível Figure of Destiny ficar uma grande ameaça muito rapidamente, ou simplesmente despejar a mão com uma facilidade incrível, para que no turno seguinte, quando Fanatic of Mogis entra em campo, além de um corpo 4/2, pelo menos 10 de dano fazem uma cicatriz gigante no nariz do oponente.

Tal como referido num artigo anterior, este deck segue a estratégia de extrema agressividade ignorando os planos de outros decks, que é um caminho que gosto bastante de seguir quando em budget. O que me encanta neste deck, além de Fanatic of Mogis que terá a maior parte das vezes uma entrada absolutamente explosiva, é a flexibilidade que as criaturas oferecem, tendo em conta o metagame. Aqui podemos ignorar os planos dos outros, sem ter que os ignorar, se é que isto faz sentido. Eu passo a explicar: para isto funcionar, além de agressividade, há que tomar especial atenção aos custos de mana das permanentes que jogamos (devido à necessidade de devoção). Ora tudo isso é conseguido, sem abdicar de consistência e “anti-outras-estratégias”. Tomemos o exemplo de Vexing Shusher. O seu custo de mana, em dois convertidos, dois contribuem para a devoção a vermelho, perfeito. Para o custo, o poder não é inferior a dois, o que poderia ser melhor (se fosse superior), mas desde que não seja inferior a agressividade existe. E ainda recebemos o bónus de não poder ser anulado e poder fazer com que outros spells que jogamos também não o possam ser. Além de tudo isto, o facto de o custo ser híbrido com verde, faz com que possa entrar após um Burning-tree Emissary. Pure Value.
Se olharmos para cada criatura neste deck, todas elas seguem este principio. Ou o seu poder é superior ao custo, que é exactamente aquilo que se quer em decks agressivos, ou, se o poder for igual ao custo, compensa no efeito que será sempre uma mais valia contra outro(s) deck(s).
Para complementar a estratégia, spells como Lightning Bolt, Searing Blaze e Dismember são aquilo que faltava. Os primeiros dois são tão úteis para ajudar a diminuir a vida do oponente quando o board precisa de um empurrão como para tirar da frente blockers ou peças de combo como as Pestermite de Tempo Twin. Já Dismember aparece em menor número devido a ter apenas o último objectivo: Removal Barato. Além disso, esta carta é capaz (a maior parte das vezes) de tirar os blockers mais problemáticos como Tarmogoyf ou Deceiver Exarch que fogem à resistência chave de 3.

Em relação ao sideboard:
Defense Grid: Peça essencial contra um dos monstros do formato na actualidade = UWR Control. O facto de o oponente passar a fazer tudo como feitiço é algo imensamente a nosso favor. O factor surpresa desaparece e podemos jogar com muito mais segurança e saber o que fazer mais frequentemente. Também dificulta a vida a Tempo Twin que já não poderá jogar as peças do combo no nosso turno e estarão muito mais sujeitas a ser destruídas.

Stigma Lasher: É mais uma criatura que preenche os pré-requisitos mencionados em cima. Além de contribuir perfeitamente para a devoção, tem o poder equilibrado com o custo e um efeito explosivo contra decks como Soul Sisters. Até mesmo contra Junk ou qualquer outro deck que tenha a sideboard ou até mesmo a main problemas como Kitchen Finks, que obviamente corrompem um pouco o nosso plano, se esta criatura passar uma vez, o jogo fica muito mais a nosso favor.

Tormod’s Crypt: Contra esses decks emergentes de Goryo’s Vengeance que ganham extremamente rápido, é uma peça essencial para fazer o jogo durar a nosso favor. Decidi que esta carta seria melhor que Relic of Progenitus por ser mais rápida. Se tiver de gastar uma mana para por a relíquia em jogo e outra para remover os graveyards, nessa altura posso já ter comido 50 de dano de um Griselbrand a atacar para 7, ganhar 7, pagar 7 para comprar 7 e repetir o processo again and again… Se não sabem do que estou a falar perguntem ao Super Mário como foi essa sensação contra o Charlie… (malta do mtgevr)

Mizzium Mortars: Tal como em standard, esta carta, num deck de devoção com Nykthos, pode chegar ao Overload facilmente. Com a chegada de Wild Nacatl de novo ao formato, decks de Zoo são o que não vai faltar por aí. Resolver esta carta com as seis manas para limpar o board do oponente é uma sensação de alívio indescritível. É também um óptimo substituto contra outros decks agressivos que fazem inconcebível levar 4 de dano para resolver Dismember.

Shatterstorm: Não há muito a dizer sobre esta carta. Se é possível chegar aos seis de mana para o Mizzium Mortars, chegar a quatro para limpar tudo o que affinity possui, ainda é mais fácil.

Este deck tem na minha opinião bastante potencial para enfrentar top tiers. Claro que sem os limites de budget poderia ficar ainda melhor… Incluir Blood Moon a sideboard era ideal; algumas fetch lands também seria óptimo, tanto para secar o deck como para fazer de Searing Blaze bom em qualquer altura… No entanto, assim como está, no seu núcleo também é todo o deck bastante sólido.

Espero que tenham gostado de mais uma ideia extremamente agressiva (como é costume vindo de mim) e, mais uma vez espero ter inspirado alguém para experimentar. Este artigo não é tão grande como os anteriores e poderão haver menos artigos nos próximos tempos porque estou actualmente em aulas e trabalho ao mesmo tempo. Assim o tempo para escrever é escasso.

Obrigado,

João Marreiros