Techs on a Budget 1 – Evolução

Deck em preparação: GR Animal House

Saudações,

Sendo este o meu primeiro artigo sobre mtg, vou tentar fazer o melhor possível! Espero que gostem.
Neste artigo irei relatar a minha preparação para o torneio 4 Seasons Winter em cascais no dia 25 de Janeiro, 2014. Este torneio será no formato Modern. Para tal fiz um deck que com um conceito que já existia, mas com modificações minhas. O nome original do deck era GR Zoo, no entanto, visto que é uma adaptação minha decidi chamar-lhe GR Animal House (muito mais fixe). Ter em conta que, o meu objectivo foi e, sempre será nesta coluna de artigos (techs on a budget) criar algo competitivo com um preço razoável (de preferência abaixo dos 100€).

Fase 1

Lista inicial:
4 Stomping Grounds
4 Copperline Gorge
7 Mountain
5 Forest
4 Kird Ape
4 Experiment One
4 Goblin Guide
4 Stormblood Berserker
4 Flinthoof Boar
4 Burning-tree Emissary
4 Ghor-clan Rampager
4 Lightning Bolt
2 Dismember
4 Rancor
2 Madcap Skills

Sideboard
1 Madcap Skills
2 Dismember
3 Molten Rain
3 Tormod’s Crypt
4 Smash to Smithereens
2 Strangleroot Geist

Esta foi a primeira lista que, no vácuo, como todas as primeiras listas, em princípio deve funcionar, mas só Play testing o dirá. Mesmo sem ainda ter testado muito, já conseguia imaginar algumas coisas que poderiam ter de mudar ou alguns decks que me poderiam dar problemas como UWR control. Era dos únicos decks contra o qual não tinha sideboard e, além do mais, 6 cartas que precisam de criaturas como alvo não me convenciam, principalmente depois de uma cólera lançar a sua fúria no board. No entanto, à partida é um deck consistente com os recursos todos virados para o mesmo alvo. O objectivo do deck era muito simples:
SMASH. Dar o máximo dano possível no menor tempo possível, de forma continua. Em linguagem do bom pessoal Eborense: Bicho, bicho, bicho, toma, toma, toma. O facto de ter 12 one drops e 12 two drops foi o que me fez confiante em relação ao deck, mesmo contra control.

Quando se faz um deck em que o bugdet nos limita, temos que optar ou por vias inesperadas ou por alternativas arriscadas mas que ganham mais do que perdem, ou simplesmente colocar tanta pressão no oponente que ele deixa de jogar o seu jogo normal para tentar parar uma investida. Eu optei pela última, face a condizer mais com o meu estilo de jogo e mentalidade.

O sideboard estava construído contra pouca variedade de decks:

Madcap skills contra outros decks agressivos, permitia-me passar por blockers com mais facilidade.
Dismember, servem também contra outros decks mais agressivos mas, mais importante, contra decks que criaturas chave. Splinter twin tem tanto o kiki-Jiki como os alvos do próprio splinter twin; jund e junk têm Tarmogoyf e Dark Confidant. Esta carta é também extremamente útil contra infect, visto que aqui estou mais à vontade em perder vida e posso remover as criaturas do oponente em resposta a pumps.
Molten Rain contra Tron obviamente e, se houver espaço para substituições (dependendo do match up), decks de 3 ou mais cores ou com muitas Man-Lands.
Tormod’s crypt principalmente contra Livind End. Poderá também servir se vier algum Reanimator rogue do arco da velha.
Smash to smithereens contra affinity, principalmente. Poderia também sevir contra pod ou qualquer outra variação que tenha artefactos vitais ou em massa. A razão de haver 4 destes nesta altura foi simplesmente o facto da abundância de decks de affinity que existiam. Não é o pior match up deste deck, no entanto, calculava que seria uma corrida.
Strangleroot Geist contra decks com muito removal como jund.

Como é óbvio as fetch lands estavam off-limits…

Fase 2

Após 2-3 FNMs e alguns jogos online (magic workstation for ever), claramente algumas alterações eram necessárias, principalmente no sideboard. A primeira alteração que, aconteceu também graças ao surgimento da expansão THEROS foi a substituição dos 4 smash to smithereens por 4 Destructive Revelry. Esta troca é claramente vantajosa. É verdade que é menos 1 de dano na cara do oponente, mas fornece ao sideboard muito mais versatilidade. Isto permite-me não só estar preparado contra affinity, mas também contra GW Hexproof.
Pois é, graças ao grande Reid Duke, GW Hexproof era um deck bastante jogado online e havia também um a divagar pelos FNMs. Este iria tornar-se um dos meus piores match ups.
Enquanto houver uma criatura do outro lado 8/8 a atacar e tentar correr, tudo bem, mas quando essa criatura tem first strike, reach, vigilance, trample e principalmete LIFELINK, aqui torna-se impossível ganhar.
Com esta troca, mesmo que ainda difícil, o match up torna-se muito mais realista, visto que posso partir os encantamentos que dão lifelink. No entanto, na minha mente ainda ficou a pairar spellskite… valeria a pena?
Outro deck que me deu problemas e, este foi aquele que me bateu em todos os FNMs, foi Jund. Não só strangleroot geist não fez nada, como foi uma péssima ideia. Fazer um burning-tree emissary e ficar com aquilo na mão não é uma sensação que aconselho a ninguém que está a tentar ganhar depressa. Ora este teria de sair, mas o que poderia incluir contra um deck como jund? O meu povo aconselhou-me Skullcrack para fazer com que a entrada de um kitchen finks não fosse tão dramática ou até mesmo atrasar o efeito daquele comprimido chamado Deathrite Shaman pelo menos um turno. Não achei nada mal pensado e decidi aceitar e experimentar a troca.

Tirar: 2 strangleroot geist; 4 smash to smithereens; 1 molten rain

Por: 3 Skullcrack; 4 Destructive Revelry.

Decidi tirar também 1 molten rain porque achei que tron, além de não haver assim tanto no ambiente onde jogava, é um deck contra o qual consigo acelerar com alguma facilidade.

Fase 3

Continuei a ser espancado por Jund… Não digo isto apenas por ter sido repetidamente rebaixado por este deck, mas é claramente um dos, se não o melhor deck de Modern.
Definitivamente é o mais equilibrado. Têm uma base de mana perfeita, tem descarte, removal, agressividade, uma curva óptima, maneira de ganhar vida (pré e pós sideboard) …é claramente um problema em todos os sentidos. Mas há esperança. Eu sou uma pessoa que ouve e leva a séria consideração todos os conselhos e procuro saber mais.
Não gosto de referir nomes verdadeiros naquilo que escrevo mas todos aqueles que vivem o magic perto da minha pessoa, provavelmente vão saber de quem se trata na mesma.
Decidi falar com várias pessoas, continuando a testar, de modo a ultrapassar este obstáculo.
A primeira pessoa a depositar esperança no meu deck e, consequentemente, dar-me forças para melhorar este trabalho foi o “Cagalho”. Referiu a fatalidade da velocidade do deck e o como se pode descontrolar num piscar de olhos, mesmo contra Jund.
Fui então falar em segunda mão com dois proprietários de Jund: “Careca” e “Legendário”. A minha pergunta para eles foi bastante simples, “Qual é exactamente a fraqueza do deck?”.
A resposta deles não foi exactamente o que estava a espera. Eles referiram que é um deck que pode ser imbatível ou pode fazer pouco, dependendo da mão inicial e das respostas que são compradas. No entanto, devido à quantidade de respostas no deck + cartas como dark confidant, não é difícil obtê-las. Uma resposta como esta elevou também um pouco a minha esperança, pois além de saber que o deck depende muito da mão inicial, se conseguisse parar as maiores ameaças contra o a minha estratégia, a vitória seria um cenário cada vez mais realista.
O último conselho que vou aqui referir vem de uma viajem nocturna ainda antes de jantar, após o PTQ Journey into Nyx (sim, needle no jace, cenas) do sábio “Super Mário”. Estávamos a falar da importância de cada slot do sideboard e, esta pessoa referiu o seguinte: “o sideboard é o nosso bem mais precioso. Cada slot que ocupas tem de ter algo que, quando entra, se faça ver. Se tiveres a pôr mais do mesmo como trocar removal por outro tipo de removal, em princípio não vai fazer grande diferença. Cada carta do sideboard tem de ter grande impacto no match up.” Podem não ter sido exactamente estas as palavras, letra a letra, mas a mensagem foi essa.
Tendo em conta esta informação (não querendo desprezar todos os outros que me ajudaram, quer jogando comigo, quer dando outros conselhos), eu estava pronto para por mãos e cabeça à obra e derrubar esta enorme barreira de goyfs, lilianas e toda aquela abundância.
Comecei por fazer a seguinte mudança: tirei tormod’s crypt e pus relic of progenitus.
Isto não só me permitia exactamente o mesmo que a cripta, mas com mais controlo, mais consistentemente e, em vez de remover um graveyard, podia remover ambos e comprar carta. A única desvantagem seria pagar mana para entrar e pagar para sacrificar, que foi exactamente a razão pela qual não inclui na lista inicial. No entanto, tendo em conta as vantagens, a quantidade de decks jund e a dificuldade que me oferecem, decidi incluir.
Devido também a testes online, sideboard contra control era uma obrigação. A maioria dos decks de control em Modern têm azul (por razões óbvias), logo, uma carta que me encantou foi Choke. Esta permitia-me também ter vantagem contra merfolks, ninja bear e qualquer coisa com ilhas.
Outro deck que me fez pensar foi GW Hate Bears, desta vez não por ser um match up extremamente difícil, mas por pequenos inconvenientes como o trigger de exalted que normalmente fazia as criaturas maiores que as minhas, o scaveging ooze que, dependendo da altura do jogo em que entra, pode ganhar muita vida e ficar maior que as minhas criaturas; e por último, Mirran Cruzader. Estas criaturas todas juntas poderiam ser um problema. No entanto fiquei a pensar numa carta que, à primeira vista poderia não fazer sentido porque me iria prejudicar também: Pyroclasm. Contra o deck referido era quase perfeito. Só não eliminava duas ou três ameaças, e essas normalmente não jogam quatro cópias em nenhuma versão. Agora, quão mau seria para mim? Na Animal House entram 7 variedades de criatura.
Ghor-clan Rampager é utilizado 95% das vezes como trick/Pump, logo 6 variedades. Se Kird Ape e Flinthoof Boar não entrarem com 3 de resistência, é porque o jogo já não está a correr bem. Experiment one e Stormblood Berserker facilmente ficam 3/3 cada um. Apenas sobram Goblin guide e Burning-tree Emissary. Valeria a pena fazer este sacrifício?
Depois de muito pensar e alguns jogos, confrontei-me com uma espécie de Soul Sisters Deck, mas bastante mais agressivo. Era um deck tricolor (BRW), e jogava imensas criaturas com resistência entre 1 e 2. Mais uma vez, este match up não era extremamente difícil, mas, tal como o Hate Bears, certos pormenores poderiam encostar os meus animais a um canto.
Decidi então experimentar pyroclasm em sideboard.

Tirar: 3 tormod’s crypt; 1 Destructive Revelry; 2 Dismember; 1 madcap skills; 1 Skullcrack

Por: 3 Relic of Progenitus; 3 Choke; 2 Pyroclasm

Madcap skills cada vez mais me provara ser uma carta que faz pouca diferença, não só em sideboard, mas também em main. Por esta razão decidi também remover os que estavam no deck principal e pôr algo que nunca é um efeito nulo, seja qual foi o match up: pillar or flame.

Este não só removia Kitchen Finks, Deathrite Shaman; praticamente todas as criaturas do Hate Bears e Soul Sisters, mas, se jogar contra control ou algo que não tenho alvos na mesa, posso dar 2 de dano na cara do oponente. É de notar que a carta REMOVE DE JOGO, não manda para o graveyard.

Tirar de Mainboard: 2 Madcap Skills

Por em Mainboard: 2 Pillar of Flames

Fase 3

Nesta fase tive o melhor treino possível: GPT Paris em Évora.
Utilizando todas as mudanças anteriormente referidas, lá fui eu para o torneio, confiante.
Assim apresento aqui um pequeno report do torneio. Quem quiser saber a lista detalhada, veja aqui no site do mtgevr nos tópicos anteriores.

Ronda 1 – Jund
Ora claro que na primeira ronda tinha de calhar contra o pior match up possível. No entanto é disto que precisava, treinar contra aquilo que me é menos favorável. No primeiro jogo, comecei por tirar vantagem da rapidez do deck e, mesmo cometendo um erro (equipar o rancor ao segundo turno em vez de jogar outra criatura), que fez com que a morte do meu oponente fosse mais lenta e, consequentemente, dei mais tempo para este comprar uma resposta, os recursos que ele precisara não apareceram. Assim faço 1-0.

Sideboard: -4 rancor; -1 Dismember. +2 Skullcrack; + 3 Relic of progenitus.

No segundo jogo, mais uma vez, rápido como o vento, consigo criar uma armada de criaturas, das quais 3 kird ape, que foram devorados por um maelstrom pulse. O meu adversário estava a 3 de vida. Tudo o que eu precisava era comprar um dos quatro lightning bolt ou um dos dois skullcrack. Não apareceram. Em vez disso, apareceram 4 terrenos, um pillar of flame e um burning-tree… A derrota foi amarga. 1-1

No último jogo, depois de fazer mulligan a 6, faço keep com uma mão que continha duas montanhas, algumas criaturas vermelhas, das quais kird ape e lightning bolt. Não era uma mão muito boa, mas tinha de arriscar. O jogo não começou mal, no entanto comprei outra montanha e criaturas verdes. Os meus kird ape não passaram de 1/1; o meu oponente tem duas Liliana of the veil, dois tarmogoyf, um kitchen finks… Não houve qualquer hipótese. 1-2

Ronda 2 (0-1) – Mono Black Devotion

Um match up que não abordei muito anteriormente mas que sinceramente não me preocupa muito. No primeiro jogo foi um simples smash extremamente rápido, do qual o meu oponente esperava conseguir recuperar porque tinha um Whip of Erebos na mão. No entanto, antes de o conseguir jogar e tirar proveito dele, consegui dano letal, mesmo à conta graças a remover o seu único blocker com Dismember e a fazer rancor para chegar ao ponto. 1-0

Sideboard: -2 Rancor; +2 Skullcrack.

Tendo em conta que é um deck que tende a ganhar vida a partir do 4º ou 5º turno, quer com a whip, quer com Gray Merchant of Asphodel, skullcrack era essencial.
No segundo jogo, o meu oponente faz mulligan a cinco e keep com um terreno na mão. Durante os próximos turnos não comprou terreno, e não conseguiu fazer nada contra os ataques consecutivos. Não é como gosto de ganhar, mas qualquer jogador de magic tem de aceitar o facto de que estes azares acontecem e, a única coisa que podemos fazer é aceitar esse facto e esperar por dias melhores (se bem que, na construção de qualquer deck há que ter em conta este facto e tentar diminui-lo ao máximo). 2-0

Ronda 3 (1-1) – Splinter Twin

Um match up bastante equilibrado. Acho honestamente que, apesar de Splinter Twin ser um deck tier 1, que neste embate não há um deck que seja favorito em relação ao outro.
No primeiro jogo, apesar de ter feito mulligan a 6, obtive os recursos necessários para exercer pressão sobre o meu oponente, de tal forma que não conseguiu aguentar a corrida. A partir do momento em que ele teria 3 terrenos, mantive sempre 2 terrenos desvirados enquanto tinha dismember na mão, caso ele jogasse pestermite ou deceiver exarch de modo a que, mesmo se ele virasse um dos meus terrenos, ficava com o outro disponível para destruir a criatura dele em resposta a splinter twin ou à habilidade do kiki-jiki mirror breaker. 1-0

Sideboard: -2 pillar of flame; -1 Rancor. +3 Choke.

No segundo jogo nunca tive dismember nem lightning bolt na mão. O que significava que, ou fazia bluff e deixava mana desvirada para ele jogar à volta do meu removal, ou simplesmente tentava ganhar o mais depressa possível antes do combo acontecer. Tinha poucos recursos na mão para fazer pressão. Criaturas eram escassas nos draws. Decidi então tentar ganhar o mais depressa possível, pois caso contrário, iria prolongar demasiado o jogo, visto que como já tinha poucas criaturas, se não as usasse, ainda pior. O meu oponente ao inicio não tinha o combo completo, por isso o seu plano foi jogar dois deceiver exarch como blockers até comprar kiki-jiki e ficar com o jogo. 1-1

Sideboard: -3 Rancor. +3 Destructive revelry.

Decidi incluir esta carta desta vez, com alguma dúvida, na esperança de, se o meu oponente faz splinter twin e eu consigo ficar com dois terrenos desvirados, consigo sabotar o plano.
Ainda hoje não sei se foi a melhor decisão, mas na altura pareceu fazer sentido. No último jogo tive aquilo a que chamamos de mão perfeita. Arranja explosivo, com tudo certinho a deixar o oponente com cerca de 2 de vida ao 3º turno, sem lhe deixar espaço para realizar o combo (que por acaso tinha na mão). 2-1

Ronda 4 (2-1) – Jund

Cá está ele mais uma vez… a rir-se de mim… com aqueles olhos que dizem: eu sou o teu pior pesadelo! Bem, sem grandes pensamentos e sem grande choradeira, avancei, sabendo exactamente aquilo que iria enfrentar, com um olho no jogo e olhos nos céus.
No primeiro jogo, através da velocidade incrível do pior pesadelo do meu oponente, tirei a vitória com dois Goblin Guide nos dois primeiros turnos. O meu oponente, apesar de todo o removal não conseguir acompanhar e concedeu. 1-0

Sideboard: -4 Rancor; -1 Dismember. + 3 Relic of progenitus; +2 Skullcrack.

Seguindo o mesmo plano da primeira ronda, avancei sem grande moral devido a más memórias bastante recentes. No segundo jogo, depois de hand disruption do meu oponente e removal e sem recursos suficientes, ainda deixei a vida do meu oponente relativamente baixa, mas a entrada demoníaca de Olivia Voldaren mudou o board completamente. Fiquei rapidamente sem criaturas e não consegui parar aquela besta… 1-1

Sideboard: -1 Experiment one; +1 Dismember.

Após ver Olívia Voldaren e também Batterskull, decidi trazer de volta dismember, visto que é a única carta que consegue matar estas duas com segurança. Lightning Bolt também consegue matar Olivian Voldaren mas apenas se ele não conseguir activar a habilidade pelo menos uma vez e também se não tiver usado o bolt para outra coisa antes. No último jogo, depois de mulligan a 6, fui a jogo com uma mão fraquinha. Os meus Draws não foram nada bons, os meus recursos foram muito escassos e não tive qualquer hipótese, principalmente após Olivia Voldaren entrar novamente em cena e eu não ter resposta… 1-2

Por esta altura estava completamente devastado por ter sido varrido duas vezes pelo mesmo deck, deck esse que me esforcei em contrariar…

Ronda 5 (2-2) – Junk

Este match up, apesar de não ser nada fácil, não é tão preocupante como jund, devido a menos removal. No primeiro jogo, apesar de alguns erros cometidos devido a ter a cabeça quente da ronda anterior, conseguir equilibrar bastante o jogo. Após uma invasão bastante grande e um pouco arriscada da minha parte, conseguir baixar a vida do meu oponente para 6, que me pôs numa posição vitoriosa devido a dois Lightning Bolt na mão. 1-0

O Sideboard neste match up é bastante parecido a jund, visto que a estratégia é bastante parecida.
No segundo jogo, após mulligan a 6, com uma investida incrível nos primeiros 4 turnos, deixei o meu oponente a 1 de vida. Neste momento, sem recursos na mão e após o meu oponente comprar removal para tudo o que eu tinha, só precisava de algo que desse dano ou uma criatura com haste. Mas não. O deck decidiu fazer birra e, tal como na primeira ronda, muitos terrenos e burning-tree fucking Emissary. O meu oponente joga deathrite shaman, começa a ganhar vida, joga Kitchen Finks… Fiquei para trás de tal maneira que não houve volta a dar. 1-1

Último jogo. Última oportunidade. Mulligan a 5 depois de os terrenos não quererem nada com as mãos iniciais anteriores. Vou a jogo com um terreno apenas mas dois goblin guide. Faço uma investida forte nos primeiros turnos, rapidamente parada por um Maelstrom Pulse. Neste momento estava de rastos. No entanto, o meu oponente joga Dark confidant numa situação um tanto ou quando arriscada. Eu comprei finalmente um Lightning Bolt. E quando chegou à altura, o meu oponente a 6 de vida, trigger do confidant, revela maelstrom pulse do topo, faço bolt no upkeep, consigo a vitória. 2-1

Foi uma vitória um pouco à custa de erros do oponente, no entanto, também fui a jogo com cinco cartas, das quais apenas um terreno e só comprei o segundo passados alguns turnos, por isso tenho mérito.

Devido a uma desistência fiz top 4 (3-2)
Semi-finais – Burn

Isto é um dos match ups que mais gosto de apanhar. Não por ser fácil, mas por ser bastante equilibrado. Aqui resume-se a sermos dois atletas numa pista de atletismo e correr uma prova de 100 metros. O mais rápido ganha!
No primeiro jogo, começando com um grande arranque de experiment one ao primeiro turno e fazer dele 3/3 ao segundo turno com goblin guide e kird ape, dei tanto dano e pus tanta pressão que o meu oponente não conseguiu acompanhar. 1-0

Sideboard: -2 Dismember; +2 Skullcrack.

Não tenho propriamente sideboard muito específico contra este deck. No entanto, sei que definitivamente não quero perder 4 de vida para matar uma criatura.
No segundo jogo, mais uma vez resumiu-se a uma corrida em que, não tendo um arranque tão explosivo, ainda conseguir baixar a vida do meu oponente de tal forma que, ou ele comprar dano para me matar naquele turno, ou eu ganhava no próximo. A compra respeitou e a vitória foi dele, com todo o mérito. 1-1

Último jogo, grande mão. Aqui se provou que, apesar de serem dois decks até bastante equilibrados e de estratégia semelhante, Animal House consegue ser mais feroz. Neste jogo consegui tirar toda a vida do meu oponente, ficar com duas criaturas em jogo, depois de perder algumas para searing blaze e ainda ficar com recursos na mão. 2-1

Final – Affinity
Mais um deck rápido para correr. Assim é que é bonito!
No primeiro jogo, depois de ambos criarmos um exército e o meu oponente ter despejado a mão ao 2º turno, houve algo que me facilitou a vida. O meu oponente reparou na agressividade do meu deck e tentou apostar tudo no seu Vault Skirge devido ao lifelink. Após sacrificar a maior parte do seu board para fazer dela uma 5/5, eu tinha dismember na mão. Ele decidiu deixar a criatura para bloquear e eu, sem medo, avancei para uma investida com todas as minhas criaturas. Ele bloquea com o skirge o meu kird ape eu faço dismember após os blockers e o meu oponente ficou desarmado. A partir daí foi só atacar. 1-0

Sideboard: -1 Rancor; -2 Pillar of flame.

Neste jogo, o meu oponente faz mulligan a 6 e decidiu ir a jogo com uma mão um pouco lenta. Apesar de entrarem dois spellskite em jogo, ainda matei um deles e o outro não lhe serviu de muito. O meu arranque foi forte e ele não conseguiu lidar com a investida. 2-0

Fiquei feliz com o resultado, obviamente, mas não estava rejubilante… Jund assombrava os meus pensamentos. Tem de ser possível ganhar este match up! Mesmo no torneio, tive bastante perto disso, tanto que foi sempre 1-2 e não 0-2.

Ao analisar um pouco o torneio e os resultados rapidamente me apercebo de algumas coisas: apesar de vários 2-1, eu ganhei SEMPRE o primeiro jogo; Pillar of flame não fez tanto quanto eu estava à espera; jund continua a ser o pior match up. Bom, há aqui aspectos a melhorar.

Fase 4 – Decisões finais

O objectivo era agora colmatar lacunas (à político). Em primeiro lugar preciso de sideboard com mais impacto contra jund. Mais uma vez fui falar com um proprietário de jund, o “Sr. Notável”. Ele sugeriu, e bem, Blood Moon. Na altura fiquei céptico porque também me poderia prejudicar, mas depois até achei uma ideia incrivelmente boa. Visto que Pillar of Flame não fez quase nada, esta teria de ser outra alteração. As alterações que pesquisei e poderiam ser boa ideia eram: Grim Lavamancer, visto que, além de ser uma one drop, consegue continuar a dar dano “imbloqueável” e não preciso de continuar a comprar recursos para o activar (em principio, se não tiver nada no cemitério é porque o meu oponente não me destrói as criaturas e, aqui, estou em boa posição). A outra opção seria Browbeat. Esta é uma das minhas cartas vermelhas preferidas de todos os tempos, se não mesmo a minha preferida. Outras pessoas ficaram cépticas quando a referi, porque o oponente pode sempre escolher aquilo que lhe é uma mais-valia. No entanto, qualquer que seja a decisão do meu oponente, é muito bom para mim. Se ele levar 5 de dano, ¼ da sua vida desapareceu que, para um deck incrivelmente agressivo, é uma vantagem. Se ele me deixar comprar 3 cartas, por 3 de mana, muito obrigado. Em princípio fico com mais recursos para acabar o trabalho que comecei. Como sempre é uma questão de testar.

Tirar de sideboard: 1 skullcrack; 1 Choke; 2 molten rain.

Por a sideboard: 3 Blood Moon; 1 Destructive revelry.

Substituir em Mainboard: 2 Pillar of Flame por 2 Grim Lavamancer ou 2 Browbeat. (testar com ambos)

Decidi tirar molten Rain e um choke porque, os decks contra os quais estas cartas poderiam entrar, sofrem tanto ou mais com blood moon. Esta foi outra das razões que me fez gostar ainda mais de Blood Moon, pela versatilidade, tendo em conta o metagame. Inclui de novo o quarto Destructive revelry porque, depois da experiencia contra affinity, conclui que preciso mesmo de muito removal anti-artefactos porque a qualquer momento pode surgir algo como um 5/5 (ou mais) com voar e lifelink.
Testei, testei, testei… Não faço ideia da quantidade de jogos que fiz mas ainda foram bastantes. É com treino e esforço que se chega ao topo e que as conclusões começam a surgir. Conclui que estava provavelmente a ser demasiado ambicioso ou à procura de algo que não existe. Browbeat era uma carta a maior parte das vezes morta neste deck. Grim Lavamancer ou era demasiado lento, ou morria rapidamente contra decks como jund. Em termos de mainboard voltei à lista do gpt: dois pillar of flame são melhores que qualquer das alternativas e, em casos raros, podem matar um jogador (dano directo).
Em termos de sideboard mais alterações foram feitas. Depois de me aconchegar ao luar vermelho, nunca mais quis outra coisa. Blood Moon é claramente uma carta chave. Se esta carta entrar muito cedo, ou mesmo em momentos específicos do jogo, não há como o adversário me parar. Além disso, tendo em conta a facilidade com que o formato permite decks multicoloridos, é das cartas mais versáteis de ódio que existe. Pode entrar contra jund, junk, UWR midrange ou control, living end, tribal flames… etc!! Isto para mim faz dela uma carta suficientemente útil para haver 4 cópias a sideboard. Para tal decidi tirar uma relic of progenitus. Porquê esta carta? Porque, havendo mais ódio anti-jund e junk, a relíquia não vai fazer tanta diferença como o luar. Assim as relíquias restantes teriam alvos mais específicos e, como tal, não seriam precisas 3 cópias. Como última alteração, pequena mas acho que é significativa, tirei o skullcrack restante e incluí um Grim Lavamancer a sideboard. Esta troca deve-se às experiencias de jogo que se resumem ao seguinte: um deck como o Animal House não gosta muito de ficar sem jogar algo para que no turno do oponente, possivelmente conjure um Skullcrack. Não só é um plano que, pode fazer diferença ou não, como atrasa o jogo. Além disso, se o oponente faz um kitchen Finks ao 3º turno, o skullcrack provavelmente já não vai fazer o seu trabalho e, como é óbvio, não posso deixar de jogar criaturas no meu 2º ou 3º turno para a eventualidade de um kitchen finks. Sinceramente este raciocínio parece lógico.
Tirar de sideboard: 1 Skullcrack; 1 Relic of progenitus.

Por de sideboard: 1 Blood Moon; 1 Grim Lavamancer.

Voltar a incluir em mainboard: 2 Pillar of Flame.

Conclusões e considerações finais

Como se pode confirmar, a lista de main está igual à do GPT Paris (podem ver no site mtgevr). No entanto, o sideboard está muito diferente. Fica aqui a lista do side então:

4 Blood Moon
4 Destructive Revelry
2 Relic of Progenitus
2 Pyroclasm
2 Choke
1 Grim Lavamancer

Em relação ao deck:

É sem dúvida um deck competitivo. Admito que não é o melhor deck de moder e, provavelmente não é tier 1. Talvez tier 2. No entanto, tendo em conta a limitação de Budget, Pode chegar ao topo. A dica aqui, tal como nos outros decks, é conhecer bem o ambiente. Talvez de note mais no deck porque, sendo algo muito focado em partir a cara do oponente em pedacinhos, fica com poucas respostas. É por essa razão que o sideboard foi dos tópicos mais discutidos.
Alguns devem estar a pensar: ehhh budget… Com 4 Blood moon acaba por ficar um bocado caro (tendo em conta o limite que eu dei, referido no inicio). Eu incluo estas cartas devido a ter team mates que me disponibilizam melhores condições de jogo, tal como eu tento, sempre que posso e consigo, disponibilizar a eles.
Para o torneio da Mox vou jogar com as 4 Blood Moon e com 4 Fetch lands. Este factor melhora o deck? Sim. Este factor é decisivo para fazer do deck competitivo? Não. Basta olharem para o gpt em que o deck ficou com 1º lugar sem nenhuma destas cartas.
Queria também dizer que, todos os raciocínios aqui apresentados podem fazer pouco sentido para certos leitores. Pois bem isto também depende um pouco do estilo de jogo de cada pessoa. Talvez tenha feito decisões erradas. Talvez não. Talvez chegue a casa no sábado à noite com uma Mox Emerald de unlimited assinada. Talvez não. Mas independentemente do que aconteça, não há arrependimentos e, qualquer derrota, fará de mim um jogador melhor.

Mais importante que tudo, este deck é divertido! É isso que nos move em Magic, é isso que nos leva a jogar.

Espero ter inspirado alguém para experimentar a sensação de partir o oponente com animais selvagens!

Obrigado.

João Marreiros